quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Acordar de manha e achar que o sol nunca foi tão lindo. Nada melhor que uma manhã de primavera para reaprender a amar a vida. Sento á varanda e acendo um cigarro, poderia ficar toda a eternidade fumando, sentindo o gosto amargo do tabaco correr a minha garganta, enquanto os pássaros se esforçam para que eu aprecie a sua mais bela melodia. O azul do céu e mar ao fundo continua o mesmo azul que eu estive por muito tempo afogado, e agora respiro com meu pulmão tabagista. Hoje vou sair cantarolando pela rua, fingindo que sou louco porque fingir ser normal não me satisfez, não foi tão divertido. Antes de poder amar os homens é preciso amar o mundo. Antes de amar o mundo é preciso aprender a amar a merda da vida, o que sem dúvidas é muito mais difícil. De nada adianta sentimentos revolucionários e altruístas que dizem amar o mundo e os homens, mas que não amam a vida. É novamente primavera nestes meus curtos e intensos dias do sul ocidental. Redescobri a minha missão neste planeta, reajustei minha bússola teológica que diz para onde deve ser o norte da minha existência. Esta decidido, sairei regando com carinho os cinzas do concreto, e se as flores neste ano novamente me deixarem esperando não terei motivos para me sentir culpado, terei pela milésima vez a certeza de que sempre necessito, constatando mais uma vez que as flores deste ano ainda são as mesmas flores preto e branco do ano passado, e que não se renovou a vida, saberei de que este ano não é porque fui um mal menino, nem porque a humanidade é escrota, a culpa é do concreto, somente do concreto, a culpa é de deus que fez o concreto, ou de deus porque fez os materiais que fazem o concreto, ou de deus que fez os homens que fazem o concreto, enfim, só agora percebo que talvez deus seja o concreto, sólido, cinza, frio, moderno. Portanto, neste ano ao final da década de dois mil esta redescendido, seja lá o que isso significa, passarei o século destruindo o concreto crente de que estarei plantando a vida, não foi isso que fizeram no século XX? Estavam todos corretos. Quero de volta todas as minhas ilusões e utopias. Me botem em uma camisa de força se necessário, mas me tirem a camisa realidade de vista. Hoje acabo de descobrir o qual bela é a vida. Queria muito mais. Dei-me drogas, aids, cigarros, açúcar e poesia, melhor do que emprego, filhos, responsabilidades, dividas e transito parado. Não me obriguem a viver entre vocês, sejam compreensivos. Não é que o mundo não me merece, é que eu não mereço o mundo, só mereço a vida, e esta me foi tirada, quando descobri que não há sonho, que viver é estar sempre acordado. Agora entendo porque todos os palhaços são tristes, as nossas lamurias servem ao menos para divertir aos outros. Divirta-se se puder com a minha...
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